Por que as crianças continuam trabalhando?

09-11-2010 07:58

Em Bogotá, especialistas elencam motivos para explicar a persistência da prática na América Latina

por Paula Rosa, Rede Andi Brasil - Brasília/DF, com informações do Portal Telefônica

 

Em um dos primeiros debates da etapa presencial do III Encontro Internacional contra o Trabalho Infantil, que acontece na cidade de Bogotá, na Colômbia, um grupo de especialistas discutiu os motivos que fazem com que a prática do trabalho infantil persista nos dias de hoje.

O tema foi abordado em um colóquio, que contou com a participação de João Pedro Azevedo, Oscar Battistón, Guillermo Dema e Michael Shifter. Entre os participantes estava a brasileira Isa de Oliveira, secretária executiva do Fórum Nacional pela Erradicação do Trabalho Infantil no Brasil (FNPETI).

Por meio de vídeo, o argentino Bernardo Kliskberg também participou da conversa. Questões como a falta de conhecimentos sobre o tema e de dados na área, os avanços dos últimos anos, a importância de se buscar a inovação, principalmente para combater as piores formas da prática e o potencial das novas tecnologias foram apontadas pelos especialistas, que ainda ressaltaram a importância de dar seguimento ao trabalho que já vem sendo desenvolvidos.

Os internautas, que puderam acompanhar esses debates pela transmissão online e ao vivo, também enviaram perguntas, por meio de redes sociais e SMS. Tais questionamentos guiaram o último bloco do debate.

Educação como estratégia preventiva

“As estratégias preventivas são a chave de qualquer programa para a erradicação do trabalho infantil. E a educação é a principal delas”, argumentou Álvaro Marchesi, Secretário Geral da Organização de Estados Iberoamericanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), durante o debate.

Além de apontar a necessidade de desenvolvimento de projetos intersetoriais para acabar com a prática, Marchesi ainda reforçou a importância de medidas de melhoria da educação na América Latina, como a efetiva valorização do professor, a adoção das novas tecnologias no processo pedagógico e o uso de técnicas alternativas para evitar o atraso de alguns alunos e sua provável evasão.

O professor também abordou as propostas do projeto “Metas Educativas 2021”, um documento que reúne um conjunto de metas e ações que devem conduzir as políticas educacionais de todos os países signatários. “O projeto chama à construção cívica de sociedades mais igualitárias . Não é suficiente defender que a equidade educativa promoverá a igualdade social – é preciso que uma venha acompanhada da outra”, ponderou Marchesi.

Segundo dia

No segundo dia, o destaque vai para a presença de Rahaf Harfoush, coordenadora de mídia online da campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos. Ela falará sobre os papéis das redes sociais e as inovações necessárias para o cumprimento dos Objetivos do Milênio e das metas da recente Conferência Mundial sobre Trabalho Infantil, realizada em Haya. Logo após, serão formadas seis mesas-redondas com a participação de representantes de empresas, organizações governamentais, organismos internacionais e educadores que explicarão suas experiências práticas na luta contra o trabalho infantil.

Trabalho em rede

O evento presencial é uma continuação do encontro virtual, que vem sendo realizado desde 1º de setembro em ambiente online. Mais de seis mil pessoas participaram de mesas-redondas, bate-papos e videochats promovidos via web, cujas principais conclusões são temas de análise durante o evento presencial.

O objetivo de ambos é reforçar uma rede internacional de pessoas e organizações para a troca de experiências, criação de compromissos e vínculos sustentáveis com o fim de transformar a sociedade.

As edições anteriores do Encontro aconteceram em Quito (Equador) em 2006, com a participação de 600 pessoas, e em Lima (Peru) em 2008, com 700 participantes. Esta terceira edição conta com o apoio da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), além de com patrocínio do PREAL (Programa de Promoção da Reforma Educativa na América Latina) e da prefeitura de Bogotá.

Luta contra o trabalho infantil

Segundo cifras da OIT, cerca de 215 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo trabalham. Destes, 14 milhões o fazem na América Latina, de acordo com o último informe apresentado na Conferência Mundial de Haya pela OIT, UNICEF e Banco Mundial.

Para mais informações sobre o encontro presencial e o virtual acesse:
http://www.fundacion.telefonica.com/pronino/encuentrotrabajoinfantil/

Pró-Menino

O III Encontro Internacional contra o Trabalho Infantil é promovido pelo Programa Pró-Menino, da Fundação Telefônica. Criado há 10 anos, o programa tem como missão contribuir para a erradicação do trabalho infantil na América Latina, por meio de uma educação sustentável e de qualidade.

Alinhado aos Objetivos do Milênio, o Pró-Menino propõe a erradicação das piores formas de trabalho infantil até 2015, e de todo trabalho infantil antes de 2020.

Em agosto de 2010, o Pró-Menino atendeu diretamente a 184.372 crianças e adolescentes da América Latina. Seus pilares básicos são as 108 ONG de reconhecido prestígio internacional com as quais trabalha diretamente e que mobilizam mais de 5.000 trabalhadores sociais de alta qualificação e especialização. No Brasil, mais de 10 mil crianças e adolescentes participam de projetos de combate ao trabalho infantil por meio do Pró-Menino.

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