Entrevista: Infância e adolescência no município de Esteio

02-10-2010 18:47

 

1 de outubro de 2010 | por VIA BLOG | Categoria(s): DIAGNÓSTICOS E PLANOS DE AÇÃO, ENTENDA COMO FUNCIONA, ENTREVISTAS, FIQUE POR DENTRO, MULTIMÍDIA, ÁUDIOS

Conhecer a situação da infância e da adolescência de um município é fundamental para que o Conselho de Direitos possa estabelecer planos de ação e de aplicação de recursos mais eficazes e que de fato atendam as áreas e os públicos mais vulneráveis.

A conselheira de direitos Sueli Luiza Peres, coordenadora da equipe que realiza o diagnóstico do município de Esteio, Rio Grande do Sul, conta ao VIA blog como o trabalho é feito e quais foram as principais dificuldades encontradas até o momento.

O diagnóstico de Esteio – e de outros 12 municípios – é apoiado pelo programa VIA.

VIA blog – Quais os principais problemas que o diagnóstico revelou no município?

Sueli Luiza Peres – O primeiro problema que levantamos é os maus tratos. Depois tem infrequência escolar, como segunda violação com maior repercussão. Em terceiro, adolescentes em conflito com a lei e em quarto, o abuso de álcool e substâncias psicoativas.

VIA blog – Vocês já começaram a elaborar propostas?

Peres – Logo após o levantamento das violações, mapeamos as entidades de atendimento por território para ver até que ponto nós temos entidades que dão conta desses problemas. Agora estamos fazendo levantamento de dados referentes às políticas de saúde, educação e assistência social, para saber se elas dão conta das violações que foram levantadas. Depois dessa terceira parte, é que nós vamos construir as propostas. Temos até o final de outubro para finalizar o diagnóstico e novembro para construir as propostas, para que se possa já contemplar alguma coisa no próximo orçamento.

VIA blog – Então as propostas já poderão ser implementadas em 2011?

Peres – Sim. A própria Votorantim abre a possibilidade de, diante do diagnóstico, enviarmos projetos em busca de recurso. Trabalhamos com o Conselho de Direitos, para que ele foque a utilização de recursos financeiros em projetos e programas que deem conta do que o diagnóstico apontar.

VIA blog – Quais as principais dificuldades pra fazer o diagnóstico?

Peres – O mais difícil está sendo a coleta de dados. A primeira etapa, tivemos que fazer na Polícia Civil, no Ministério Público e nos Conselhos Tutelares. Esses órgãos não têm por hábito sistematizar dados. Nós tivemos que entrar nos lugares, pegar material e contabilizar. Acabamos demorando muito mais em cada processo. Nessa terceira fase, as secretarias estão demorando muito para retornar os dados. Como eles também não mapeiam por unidade territorial – eles fazem no geral do município – não conseguimos ver qual é o território que está com maior dificuldade. Por exemplo, o Conselho Tutelar atende, mas não verifica o território em que a criança está morando, se lá tem uma rede de atendimento. Talvez isso vá mudar com o diagnóstico, para que as unidades de atendimento e as próprias secretarias municipais consigam dar conta melhor do seu atendimento.

 Áudio da entrevista de Seuli Peres: http://www.viablog.org.br/entrevista-infancia-e-adolescencia-no-municipio-de-esteio/

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